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Garota com síndrome que afeta músculos tenta quebrar recorde físico

Filha de brasileira quer ficar em tempo recorde na posição de ‘prancha’. Ela não tem parte dos músculos da panturrilha, glúteos e abdômen.

Escrito por Mariana Lenharo do G1, em São Paulo
19 de abril de 2014
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Gabriela Ury, de 16 anos, vai tentar quebrar o recorde mundial de tempo na posição de prancha, como a da foto, neste sábado (19) (Foto: Steve Priola/Divulgação)

Gabriela Ury, de 16 anos, vai tentar quebrar o recorde mundial de tempo na posição de prancha, como a da foto, neste sábado (19) (Foto: Steve Priola/Divulgação)

A estudante americana Gabriela Ury, de 16 anos, quer bater o recorde mundial feminino de maior tempo na posição de prancha, na qual o antebraço e as pontas dos pés sustentam o corpo paralelo ao chão. Superar o atual recorde, de 40 minutos, já seria um feito. Mas a iniciativa é ainda mais ousada por uma peculiaridade: Gabriela não tem todos os músculos do corpo.

A adolescente, cuja mãe é brasileira, não desenvolveu parte dos músculos da panturrilha, dos glúteos e do abdômen. Ela nasceu com a síndrome de Vater (ou VACTERL) – caracterizada por anomalias na coluna vertebral, no sistema cardiovascular, nos membros e em alguns órgãos – e já passou por 14 grandes cirurgias. Veja o vídeo em que ela conta sua história em português.

Neste sábado (19), dois dias depois de completar 16 anos, Gabriela fará uma tentativa oficial de entrar para o Guinness World Records. Ela conta que sempre quis ser a melhor do mundo em alguma coisa e já se inscreveu algumas vezes para o Guinness. Tentou, por exemplo, quebrar o recorde do jogo de amarelinha mais comprido desenhado em uma calçada e do maior número de meias colocadas em um pé.

Gabriela tem a síndrome de Vaters, que afeta músculos, órgãos e pernas. (Foto: Steve Priola/Divulgação)

Gabi tem a síndrome de Vater, que afeta músculos, órgãos e pernas (Foto: Steve Priola/Divulgação)

A ideia da prancha surgiu no ano passado, quando a treinadora do time de vôlei de sua escola pediu que ela ficasse nessa posição enquanto as outras garotas corriam em volta da quadra. Era para ser uma atividade mais leve, já que Gabi não consegue correr muito bem devido à síndrome. Mas, quando suas colegas terminaram de correr e a treinadora viu que ela continuava na prancha, se surpreendeu com a resistência da menina.

Ela vem treinando desde então e conta que já chegou a ficar 60 minutos na posição. Mas teve que esperar até agora, pois 16 anos é a idade mínima para a tentativa de um recorde de resistência, de acordo com as regras do Guinness.

Dificuldades
A mãe de Gabriela, a brasileira Lizanne Ury, de 56 anos, conta que a família passou por um período muito difícil após o nascimento da menina, quando a síndrome foi diagnosticada. “A gente entra em um pesar muito grande porque existe aquela insegurança e a falta de informação por ser raro, por não se saber qual é o futuro, se ela iria andar. Levou alguns anos para começar a ir digerindo tudo isso”, diz.

Nos primeiros seis meses de vida, Lizanne contou ter levado a filha a mais de 100 consultas médicas. As cirurgias corretivas começaram quando Gabriela tinha apenas 4 meses de idade. O último procedimento foi feito em novembro do ano passado.

“No momento em que as dificuldades passavam, ela realmente voltava com o jeito forte e alegre dela. Nenhuma vez a vi sendo uma vítima. Nunca vi ela ter uma reclamação com o corpo dela, com o visual ou pelas dores. Ela foi uma lição interminável e todos os dias ela inspira a gente por causa disso”, diz Lizanne, que tem outros dois filhos, mais velhos do que Gabi.

Sobre a intenção da filha de bater um recorde mundial, Lizanne conta que o sonho vem desde cedo. “Sinto que a intenção dela, além de inspirar as pessoas a superar seus próprios limites, também é em grande parte ensinar os pais de crianças especiais a tratá-las de igual para igual, nunca tratá-las como pobres coitadas, mas com igualdade.”

Além de buscar uma superação pessoal, Gabi também está usando sua tentativa de quebrar o recorde para arrecadar dinheiro para o Hospital Infantil Colorado, instituição que realizou a maior parte de suas cirurgias.

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